Na Serra dos Bastiões, o céu tem sido motivo de preocupação. As poucas chuvas deste ano deixaram roçados sofrendo, açudes quase vazios e criadores olhando para o horizonte com fé e incerteza.
Onde antes a terra era molhada e fértil, hoje o chão racha sob o sol forte. O açude que já chegou a ter mais de 15 metros de profundidade, hoje acumula pouca água — um contraste que preocupa agricultores familiares que dependem da terra para sobreviver.
Os antigos contam que a natureza sempre dá sinais. Uma das experiências mais populares é a observação do ninho do joão-de-barro. Segundo a sabedoria popular, o lado da abertura do ninho indica de onde virão as chuvas e os ventos fortes. Se a boca do ninho fica virada para o nascente, é proteção contra as chuvas vindas do inverno. Se aponta para o poente, os mais velhos dizem que o tempo será diferente.
Outro símbolo da mudança é o “olho d’água”, fonte antiga que já foi abundante e hoje resiste com pouca vazão. Um retrato silencioso das transformações climáticas e da força do sertanejo.
Mesmo diante da incerteza, a esperança permanece viva. Entre cercas de pedra feitas à mão e roçados vistos do alto pelas imagens de drone, o que se vê é resistência. O homem do campo não desiste — ele planta, confia e espera.
Porque na Serra dos Bastiões, a fé sempre foi maior que a seca.
Francisco Filho | Folha Serrana





Nenhum comentário:
Postar um comentário